O Rio Madeira atingiu um novo nível histórico de seca, com a marca de 58 centímetros em Porto Velho na noite de quarta-feira, 11 de setembro, o menor nível registrado em quase 60 anos de monitoramento pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). Esse nível crítico está devastando a vida dos ribeirinhos que dependem do rio para seu sustento.
Com o rio se transformando em um "rio de areia", comunidades ribeirinhas, como a de Bom Será, localizada a 80 km da zona urbana de Porto Velho, enfrentam sérios problemas. A pescadora Raimunda Brasil, residente há 15 anos na comunidade, relatou a escassez de peixe, sua principal fonte de renda. "Não tem peixe, não consigo pescar. Sem o rio, estamos lutando para sobreviver", disse ela.
A seca extrema está causando a morte de peixes devido à formação de bancos de areia que criam lagos isolados e à dificuldade de migração dos peixes. Na comunidade Maravilha, também em Porto Velho, a seca secou um Igarapé, resultando na morte de peixes e agravando a crise de água para os moradores.
Além da falta de peixe, os ribeirinhos estão enfrentando a escassez de água potável. Raimunda mencionou que o único poço da comunidade está quase seco e que a família precisa recorrer a água do rio para necessidades básicas. A Defesa Civil de Porto Velho iniciou a distribuição de água potável para a comunidade Bom Será e outras 15 ao longo do Rio Madeira, atendendo cerca de 700 famílias até novembro.
A seca também afeta a geração de energia nas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, que operam a apenas 20% e 14% de suas capacidades, respectivamente. Embora o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirme que o Sistema Interligado Nacional (SIN) possui recursos suficientes para atender à demanda, a situação é considerada uma "ponto de atenção".
O Rio Madeira, com quase 1.500 quilômetros de extensão, é um dos maiores e mais importantes afluentes do rio Amazonas, e sua crise hídrica tem impactos profundos em toda a região.